“Mas, espectador obrigado, permanentemente, a um espetáculo onde não tem outro papel senão o de contemplar sempre, ele se entendia. – Tudo se agita por sua causa, ele o sabe – mas a si próprio… – a si próprio ele não vê. Que lhe importa então todo o resto? Ah! Ver-se! – É forte, não há dúvida, pois cria e o mundo em redor se detém diante de seu olhar – mas que sabe do seu poder, enquanto permanece inafirmado? – À força de contemplar, não se distingue mais das coisas: não sabe onde acaba – não sabe até onde vai! Pois não passa afinal de escravidão não se poder arriscar um gesto sem isto comprometer a harmonia do conjunto. – E, depois, que importa! Essa harmonia me irrita, com seu acorde sempre perfeito. Um gesto! Um pequeno gesto, para saber – uma dissonância, que diabo! – Eh! Vamos lá! Um pouco de imprevisto.

Ah! Tomar um ramo da Ygdrasil entre os dedos fascinados, e parti-lo…

Pronto”.

 

(A volta do filho pródigo, André Gide)

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