“Rimbaud e Verlaine tinham se tornado um casal tão difícil que, quando Henri Fantin-Latour fez um retrato de grupo de seu círculo de poetas, Le coin de table [O canto da mesa], teve que substituir um poeta, Albert Mérat – a quem Rimbaud havia insultado pouco tempo antes – por  um desajeitado vaso de flores arranjado às pressas. E embora tenha conseguido fazer Rimbaud parecer convenientemente etéreo e angelical, Fantin-Latour mais tarde confessou que tivera de mandar o rapaz lavar as mãos antes de posar. As mãos de Rimbaud, grandes, vermelhas e cobertas de frieiras, causavam uma impressão imediata em qualquer pessoa que se encontrasse com ele pela primeira vez – como se tivessem existência própria: uma existência áspera, ameaçadora, rústica.”

 (Rimbaud – A vida dupla de um rebelde, Edmund White)

Share Button